Violência contra mulher: agressores poderão ter que usar tornozeleira eletrônica

Os agressores de mulheres poderão ser obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas. É o que afirma um projeto de lei que está em tramitação no Senado Federal. O texto foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) na semana passada e tem como finalidade fazer alteração em dois artigos da Lei Maria da Penha. As mudanças vão garantir às mulheres ofendidas o direito de solicitar o equipamento eletrônico, com o intuito de alertá-las sobre o descumprimento das medidas protetivas de urgência estabelecidas pela Justiça. 
 Reprodução/Susipe
De acordo com o relator do projeto, senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), o uso do dispositivo eletrônico pode ajudar a preservar a vida e a integridade física e psíquica de mulheres que foram vítimas de violência doméstica e familiar.
“Tristemente, parte da população ainda acredita que o Estado não deva intervir em caso de violência doméstica, segundo a máxima que briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Bom, eu metia algema, né, quando eu era policial. Enquanto os costumes avançam a passos lentos e hesitantes, mulheres seguem sendo ameaçadas, agredidas e assassinadas. É necessário, portanto, intervir, para salvar vidas, para prevenir tragédias e para evitar impunidade”, comenta.
A escritora Simone Soares, de 41 anos, autora do livro “O que Deus fez por mim”, já foi vítima de diversos abusos. Ela sofreu violência física, psicológica, sexual e moral. Durante muito tempo, ela se manteve calada sobre a situação, mas agora, se sente mais à vontade para falar sobre o assunto.
Segundo o relato da escritora, os casos de abuso começaram ainda quando ela criança, aos 13 anos, em Abadiânia, Goiás. Ela ainda contou que, durante um ano, o médium João Teixeira de Farias, mais conhecido como João de Deus, a abusava sexualmente.
Anos depois, quando ela já estava casada, Simone conta que voltou a ser insultada, violentada física e moralmente. Segundo ela, ao terminar o relacionamento, o ex-companheiro a ameaçava de morte, o que acarretou alguns traumas, principalmente, muita insegurança e medo. Por isso, ela é favorável ao projeto de lei que prevê que os agressores de mulheres poderão ser obrigados a usar dispositivos eletrônicos indicativos de suas localizações.
“Tudo o que for feito a respeito da proteção para a mulher é muito válido, porque é uma forma de intimidar, é uma forma de trazer um alerta e eu sou totalmente de acordo”, diz.
Atualmente, Simone dá palestras, faz trabalhos de assessoria para mulheres que também sofreram algum tipo de violência e é fundadora do Projeto Hadassah. O intuito dela, agora, é terminar de construir a Casa de Apoio em Porto Seguro, onde ela poderá receber mulheres de todos os Estados brasileiros, durante alguns dias, e oferecer apoio à elas.
O projeto de lei, que prevê que os agressores de mulheres poderão ser obrigados a usar tornozeleiras eletrônicas, segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça, onde receberá decisão terminativa.
(Com informações da Agência do Rádio) 
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