Internet, o reino das fake news

Elas são criadas, compartilhadas em contas falsas nas redes sociais, espalhadas em grupos do WhatsApp, publicadas em páginas de apoio ou de repúdio a candidatos e repostadas em sites sem compromisso com a verdade até chegarem aos perfis online de eleitores e à boca do povo nas ruas, nos ônibus, nos almoços de família.

O trajeto que as “fake news” fazem, porém, nem sempre é previsível assim. Às vezes, elas surgem na boca de um candidato, outras vezes até mesmo da imprensa tradicional. Mas não há dúvidas de que a Internet é o terreno mais fértil para o nascimento de informações falsas, sobretudo aquelas que são criadas deliberadamente para prejudicar ou para beneficiar uma candidatura.

É neste terreno que trabalha o Projeto Comprova, que reúne repórteres de 24 veículos de mídia, incluindo O Povo. O grupo estreou no dia 6 de agosto e verifica apenas boatos que estejam viralizando e que envolvam o nome de presidenciáveis. Até a tarde de ontem, 54 verificações já haviam sido publicadas no site do Comprova.

Como uma das repórteres do grupo, tem sido meu papel diário acompanhar a profusão de mentiras algumas absurdas ou ridículas, mas outras bastante engenhosas e sofisticadas que circulam pelas redes. Ter o boato como matéria-prima de trabalho não deixa de ser sintomático nesses tempos de extrema polarização política.

Esse cenário, aliás, é perceptível nas publicações do Comprova. O candidato Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são os líderes de boatos envolvendo seus nomes, seja para prejudicá-los ou beneficiá-los. Bolsonaro é o protagonista de 18, das 54 verificações publicadas.

Lula, por sua vez, é o principal nome exposto em 16 matérias. Fernando Haddad (PT), que assumiu a candidatura no lugar de Lula, aparece em uma verificação e Manuela D’Ávila (PCdoB), sua vice, em mais uma. A candidatura petista, portanto, empata nas menções com Bolsonaro.

Geraldo Alckmin (PSDB) fica em terceiro lugar com quatro aparições. Ciro Gomes (PDT), João Amoêdo (Novo), Marina Silva (Rede) e Cabo Daciolo (Patriota) empatam com duas publicações. Uma verificação envolve Guilherme Boulos (Psol) e o restante trata de assuntos que envolvem as eleições em geral. Na Internet, reino das “fake news”, a disputa também é acirrada, principalmente sobre quem prejudica mais quem.

Por Letícia Alves, jornalista do O Povo
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