Luiz Gonzaga completa 106 anos com museus temáticos em Fortaleza e no Interior

Apaixonados por Luiz Gonzaga guardam discos, livros, filmes e quadros que contam a trajetória do sanfoneiro. Por iniciativas próprias, sem ajuda do poder público, pequenos museus e memoriais sobrevivem. 

Nesta quinta-feira, 13 de dezembro, a cidade de Exu, a 78 km de Juazeiro do Norte, comemora o nascimento do filho mais ilustre do município. Se vivo, Luiz Gonzaga completaria 106 anos de idade. Com uma carreira sem a presença das redes sociais, no site de busca Google, o sanfoneiro aparece em mais de 18 milhões de páginas. Em 2018, a voz do pernambucano é presente nos aplicativos de música Spotify e Deezer. No cinema, a influência é viva na produção de documentários premiados.

Em Fortaleza, no bairro Vila União, um memorial guarda mais de 600 peças que remontam à vida e à obra do pernambucano. Marcelo Leal, 64, preserva conteúdos na área da música, literatura e artes plásticas. Sob influência de um tio sanfoneiro, a paixão pela música foi despertada. "Minha família é toda do Interior. Passava minhas férias escolares no sertão de Quixadá e Quixeramobim. O meu tio era sanfoneiro e tocava noventa por cento de Luiz Gonzaga, além de Marinês e Trio Nordestino, o forró que eu chamo de verdade".

O Memorial é mantido por Marcelo e está em funcionamento desde 2010, mas foi só em 2012 que foi inaugurado oficialmente. A abertura aconteceu no ano do centenário de Luiz Gonzaga. Em seis anos de funcionamento, o escritor recebeu poucas visitas. Marcelo conta que costuma atender mais pessoas entre os 40 e 60 anos, mas que está buscando atingir as novas gerações.Para 2019, Leal realiza melhorias no espaço com o intuito de fortalecer a visita de turistas. No Memorial, o visitante pode conhecer o acervo de Luiz Gonzaga em três áreas. "Temos mais de 90 publicações sobre a história do sanfoneiro, além de todo o material musical. Outra área que chama atenção de quem vem no espaço são as artes plásticas. É possível encontrar estatuetas, quadros, aquarelas, discos, livros, cordéis e filmes". Uma das peças mais valiosas guardada por Leal é um LP autografado pelo pernambucano em um show no Clube do Banco do Nordeste (BNB), na capital cearense.

Leal ainda dedica a vida a escrever momentos importantes da carreira de Luiz Gonzaga. Como escritor, já produziu seis publicações e segue para a sétima. "Estamos fazendo uma nova pesquisa sobre as vindas de Luiz Gonzaga. Não se tem tantos registros e é um trabalho minucioso". Há 30 anos, o diretor do Memorial viaja a Exu onde participa dos festejos de aniversário do músico.
Memória

No Interior do Ceará, um garoto de 13 anos é quem mantém viva a memória do mestre da sanfona. Pedro Lucas Feitosa criou o Museu de Luiz Gonzaga no distrito Dom Quintino, no Crato, motivado pelo amor à música. A iniciativa, feita na casa da bisavó já falecida, na rua Alto da Antena, recebe diversos visitantes. A história do garoto atravessou o Atlântico e virou documentário pelas mãos do jornalista Sérgio Utsch. A produção ganhou o FPA Awards em Londres. "The Boy Who Made a Museum", "O Menino que fez um Museu", em português, foi gravado em 2016 por equipe independente composta por profissionais brasileiros e britânicos.
Nos quadros do pequeno museu no Crato, muitas fotos do ídolo e de sanfoneiros nordestinos. Ele exibe ainda certificado de honra ao mérito recebido, em 2017, da Secretaria Municipal de Cultura de Exu em reconhecimento ao seu trabalho de divulgação da memória do rei. "No começo do museu, eu sofri muito preconceito por gostar da música velha, como a juventude diz. Eu tenho celular e minhas redes sociais. Hoje, vários jovens se aproximaram depois do lançamento do filme".
Confira acervo de museu e memorial:
Utsch conta que a vontade em produzir um documentário sobre o pernambucano nasceu após ele ver um vídeo do garoto nas redes sociais. "Eu e o diretor de fotografia do filme estávamos na Ucrânia, cobrindo uma guerra. Naquele cenário louco, o Brasil também não estava indo tão bem. Por 2015 e 2016, a gente decidiu fazer uma história bacana no Brasil, só não sabíamos de quem seria. Um determinado dia, uma amiga minha compartilhou um vídeo na rede social dela do Museu Luiz Gonzaga de Dom Quintino. Eu vi um vídeo curtinho do Pedro Lucas, de dois minutos, feito com celular de maneira bastante precária e ali, naquele momento, eu tinha certeza que conseguiria um documentário. Pela maneira que ele falava, eu já sabia que ele seguraria um documentário sem dificuldades".

Sérgio Utsch não sabe quantificar o número de expectadores que assistiram ao filme no Brasil e no Exterior, mas que vem recebendo críticas positivas. A produção audiovisual já foi exibida em cinemas de São Paulo e Belo Horizonte na programação infantil de escolas públicas e privadas. Utsch categoriza o documentário como "doce e muito didático".

Fonte: Diário do Nordeste.

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