Centrão se divide entre Bolsonaro e Haddad no 2º turno

Bloco partidário que foi disputado por diversas candidaturas no 1º turno agora opta por lados diferentes.
BRASÍLIA - Ex-aliado do tucano Geraldo Alckmin, o Centrão - bloco formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade - rachou no segundo turno da disputa entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Enquanto PP e PR estão divididos internamente entre os presidenciáveis por causa de interesses e alianças regionais de seus parlamentares, DEM e PRB darão apoio majoritário a Bolsonaro, polo oposto ao do Solidariedade, cuja base sindical fez o partido preferir Haddad.

O acordo de unidade no Centrão visava ao fortalecimento para emplacar um aliado na Presidência e se manter no comando da Casa a partir de 2019 - na prática, o grupo possui integrantes de outros partidos, embora não esteja constituído como bloco formal, com líder eleito pelos demais da bancada. O cabeça do Centrão é Rodrigo Maia (DEM-RJ), que costurava sua recondução à presidência da Câmara.

O PP, o PR e o PRB comunicaram nesta terça-feira, 9, a decisão de, oficialmente, adotar uma postura de neutralidade e liberar seus filiados para fazer campanha em prol do presidenciável que cada um desejar. "O Progressistas adotará uma postura de absoluta isenção e neutralidade no segundo turno. Faz convicto de que essa é a melhor contribuição que pode oferecer ao debate, em que os cidadãos e cidadãs demonstraram querer se ater a um olhar aos projetos e às personas dos candidatos, deixando todas as demais variáveis em segundo plano", disse o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, em nota.

No comando do PR, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, comunicou aos parlamentares sobre a decisão de neutralidade. "Valdemar já autorizou a liberação em todos os Estados. Cada parlamentar apoia quem achar que deve", disse ao Estado o líder do PR na Câmara, deputado José Rocha (BA).

O DEM e o Solidariedade pretendem fazer nesta quarta-feira, 10, anúncio formal semelhante, embora, haja maiorias opostas nessas legendas. "Eu acho que tem gente de todo lado, uma maioria pró Haddad. Mas acho que o melhor caminho para o partido é liberar. A ideia que eu tenho é encaminhar a proposta de liberar. Quem quiser ajudar o Haddad vai ajudar, sem ter obrigação de apoiá-lo", disse o presidente Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP). A Força Sindical, principal base do Solidariedade, vai apoiar Haddad, ao lado de outras centrais sindicais.

Como o DEM, historicamente, faz oposição ao PT, a tendência é de que a maior parte dos filiados com mandato e militantes do partido siga em campanha por Bolsonaro, como muitos já fizeram. É o caso da líder da Frente da Agropecuária, Tereza Cristina (MS), e de Onyx Lorenzoni (RS), coordenador da campanha do candidato do PSL à revelia do DEM, e do líder da bancada da bala, Alberto Fraga (DF).

O líder do PRB, deputado Celso Russomanno, terceiro mais votado em São Paulo, gravará vídeo de apoio a pedido do presidenciável. A sigla possui vínculos com a Igreja Universal, cujo líder religioso, bispo Edir Macedo, já declarou voto em Bolsonaro.
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