Ministro diz que forças de segurança tem que ir para o confronto com bandidos

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz, concedeu entrevista ao jornal Valor e dentre os temas abordados, abriu significativo espaço para tratar sobre à crise de violência no Ceará praticada por bandidos organizados em facções criminosas. Vejam trechos.

Negociar com grupo de criminosos é a desmoralização da autoridade
Fui secretário Nacional de Segurança Pública. Não admito que o Estado tolere ousadia do crime organizado. Uma coisa é discutir o sistema prisional. Agora, não tem negociação com criminosos. Tem que ser confrontado e tem que ser submetido à lei. Negociar com o PCC ou com qualquer grupo de criminosos é a desmoralização da autoridade.

Excludente de ilicitude e atirar em quem porta fuzil
Mas você tem os excludentes de ilicitude. [Atirar em quem porta um fuzil] Isso aí é problema de interpretação. Um sujeito com um fuzil ameaça mesmo sem estar apontando pra você. Você está em Fortaleza à noite, vê um cara com fuzil. Vai deixar que ele incendeie ônibus, mate civis, sequestre crianças e taque fogo em agência bancária? É loucura de interpretação.

Tem que ser zero grau de risco para o policial e o máximo para o bandido
O sujeito que vai combater o criminoso sai tenso e a família fica tensa sem saber se ele vai voltar. Tem que ser zero grau de risco para o policial e o máximo grau de risco para o bandido. Essa é a regra. Por que vai arriscar o policial na mão de bandido que tem a ousadia de ameaçar o governo? Destruímos o princípio da autoridade cedendo terreno pra esse tipo de organização criminosa. Tem que ir pro confronto e eles vão perder. Ou assume as responsabilidades e enfrenta o crime organizado ou vira um estado criminoso.

Armar a população é solução?
Isso não está relacionado só à segurança pública mas a um princípio de legítima defesa de liberdade individual. Da sua liberdade de defender o seu patrimônio e sua vida. Se você for ver o Uruguai é um dos países com o maior índice de posse de arma e um dos menores índices de crime.

Tentativa de destruir viaduto no Ceará é terrorismo
O Estado foi criminoso quando desarmou o cidadão sem condições de desarmar o bandido. O bandido que chega no sinaleiro assalta você e tem absoluta certeza de que no carro não tem ninguém armado. Você tem milhares e milhares de armas de guerra no Rio de Janeiro. Hoje o sujeito assalta um carro de pipoca no Rio com um fuzil. Ele atira em você com uma [Browning] ponto 50 que não tem blindagem que segure. O que fizeram agora tentando destruir ponte no Ceará é terrorismo. Você está destruindo um bem público por onde passam cidadãos que vão pegar ônibus pro trabalho. Tem que parar com besteirada de interpretação e colocar a lei em favor do cidadão e do policial.

Incendiar ônibus é terrorismo em qualquer lugar do mundo
Incendiar ônibus em qualquer lugar do mundo é terrorismo. Vai incendiar ônibus na França, na Inglaterra, pra ver se não é terrorismo. Nós perdemos a noção baseados em falsas premissas. Uma coisa é você defender a dignidade do bandido no momento em que ele está sob a custódia do Estado ou prender o sujeito porque está armado sem autorização. Outra coisa é o cara com um fuzil na porta da favela.

Quem é Santos Cruz
General três estrelas do Exército, Santos Cruz tornou-se uma legenda nas Forças Armadas porque depois de comandar a operação de paz no Haiti, transformou-se no primeiro general brasileiro a chefiar tropas em inédita ofensiva de guerra das Nações Unidas no Congo. Depois de voltar da África, há três anos, ocupou a Secretaria Nacional de Segurança Pública e voltou a ser requisitado para missões na ONU. Estava em Bangladesh, ministrando treinamento de forças internacionais, quando foi recrutado por Jair Bolsonaro para ajudá-lo na campanha. Em 48 anos de carreira, será a primeira vez que passará quatro anos na mesma casa. “Em missões internacionais recebia cinco vezes o que vou ganhar aqui. Vim para ajudar um amigo e servir ao país”.
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