O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), chegou à sede da Polícia Federal na tarde desta quinta-feira (18) para prestar depoimento no âmbito das investigações sobre fraudes no cartão de vacinação.
Braço direito do ex-presidente está preso há 15 dias, após ser alvo de operação da Polícia Federal.

Tenente-coronel Mauro Cid está preso desde o dia 3 de maio | Reprodução
O militar entrou no prédio da PF, em
Brasília, pela garagem, evitando assim contato com a imprensa.
O militar deverá ser questionado sobre a
inserção no sistema do SUS de dados falsos da vacinação de sua família sua
mulher, Gabriela Ribeiro Cid, e três filhas e também de Bolsonaro e da filha
mais nova do ex-presidente, Laura.
Mauro Cid está preso desde o dia 3 de
maio por suspeita de ter inserido dados falsos sobre a vacinação contra o novo
coronavírus no sistema. Naquele dia, a PF executou uma operação de busca e
apreensão na casa de Bolsonaro e prendeu outros assessores do ex-presidente.
De acordo com a PF, os suspeitos teriam
realizado tentativas de inserção de dados falsos sobre vacinação da Covid-19 no
sistema.
A investigação aponta que foi inserido no
sistema como se Bolsonaro tivesse tomado duas vacinas contra a Covid-19, a
primeira delas em 13 de agosto e a segunda em 14 de outubro de 2022.
A inserção desse registro retroativo de
vacinação na rede do Ministério da Saúde, porém, só ocorreu em 21 de dezembro,
pouco antes de o então presidente viajar para os EUA. No dia seguinte, em 22 de
dezembro, o certificado de vacinação de Bolsonaro foi emitido de dentro do
Palácio do Planalto.
Dias depois, em 27 de dezembro, novamente
houve uma emissão de certificado e, em seguida, o usuário em nome da chefe de
vacinação de Duque de Caxias apagou o registro do sistema com a justificativa
de "erro".
Em representação ao ministro Alexandre de
Moraes, do STF, a PF aponta Mauro Cid como principal articulador do esquema.
Segundo a PF, Bolsonaro tinha ciência da
inserção fraudulenta dos dados no sistema. "Jair Bolsonaro, Mauro Cid e,
possivelmente, Marcelo Câmara tinham plena ciência da inserção fraudulenta dos
dados de vacinação, se quedando inertes em relação a tais fatos até o presente
momento", diz a PF.
Na terça-feira (16), Bolsonaro prestou
depoimento à PF sobre a investigação do caso. O ex-presidente disse que não
determinou a inserção de dados falsos na sua carteira de vacinação e na de sua
filha. Também afirmou que só teve conhecimento da adulteração quando esse tema
começou a ser divulgado pela imprensa, em fevereiro deste ano.
O depoimento de Mauro Cid passou a ser
visto como uma incógnita, em particular após a troca na defesa do militar. O
advogado Rodrigo Roca anunciou na semana passada que deixaria o caso.
Roca é conhecido por ser próximo à
família de Bolsonaro e já advogou para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no
caso que ficou conhecido como "rachadinhas", em seu antigo gabinete
na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde exerceu o mandato entre fevereiro
de 2003 a janeiro de 2019.
A defesa de Jair Bolsonaro apostava na
admissão de culpa do tenente-coronel Mauro Cid, avaliando que ele não teria
outra alternativa a não ser reconhecer ter adulterado certificados de
imunização.
A avaliação de interlocutores do próprio
ex-presidente ouvidos pela reportagem é que a investigação da PF trouxe
elementos robustos e difíceis de serem refutados por Cid. Eles citam, por
exemplo, as trocas de mensagens e os acessos do próprio celular do militar à
conta do então mandatário no aplicativo do ConecteSUS.
Autor:FABIO SERAPIÃO E RENATO MACHADO- FOLHAPRESS












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