A esperada alta no preço das carnes já começou a chegar ao consumidor.
Por causa do apetite chinês, que aumentou as importações de carnes do Brasil, a
arroba do boi subiu nas últimas semanas, e o repasse já começa a chegar às
gôndolas. E o movimento deve continuar, pressionando os preços para as festas
de fim de ano.
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que faz
pesquisa de preço semanalmente no município de São Paulo, apontou que, na
segunda quadrissemana de novembro (acumulado em 30 dias), as carnes bovinas
subiram, em média, 4,2%.
O contrafilé, por exemplo, subiu 5,86%, e a alcatra, 3,63%. A
picanha subiu menos, 0,32%. Os dados foram divulgados na terça-feira (19).
De acordo com Guilherme Moreira, coordenador de índice de
preços da Fipe, os valores continuarão a subir até o início de 2020. “O aumento
da carne neste ano foi pequeno, abaixo da inflação. As carnes começaram a
aumentar agora”, diz.Para o especialista, o aumento dos preços é normal por
causa das festas de fim de ano, mas a alta extrapola os valores para a época.”
O que pode justificar esses valores é uma combinação de
entressafra e exportações fora do padrão”, diz Moreira.Desde o fim de 2018, a
China enfrenta queda da produção de suínos devido a uma grave crise sanitária
na suinocultura, o que a fez elevar as compras externas e a procura de outras
proteínas, como a bovina.
O Brasil, o principal exportador mundial de carne bovina e de
frango, foi beneficiado por essa demanda chinesa. E essa demanda veio
justamente na entressafra do boi, quando a oferta é menor –em parte por causa
da diminuição de matrizes após a Operação Carne Fraca, há dois anos, que
derrubou os preços do setor– e quando o consumo interno aumenta devido às
festas.
O resultado foi uma disparada do preço do boi, que chegou a
R$ 204,05 na terça-feira, segundo o indicador Esalq/B3. A alta em 12 meses é de
quase 40%.As carnes vieram, semana a semana, aumentando de preço. Na terceira
quadrissemana de outubro, por exemplo, houve uma pequena queda, de 0,08%, nos
preços para o consumidor, segundo a Fipe.
Já na primeira quadrissemana de novembro, as carnes tinham
tido alta de 2,17%, taxa que quase dobrou na última pesquisa.
Segundo a reportagem apurou, os supermercados já esperam
repassar novas altas para os clientes nas próximas semanas. Procurada, a Apas
(Associação Paulista de Supermercados) não quis comentar o assunto.
Não é só o boi que fica mais caro. Além da pressão chinesa,
no Brasil a carne suína também acompanha, em parte, as variações da carne
bovina.
De acordo com a Fipe, as carnes de porco tiveram aumento médio
de 3,11% na segunda quadrissemana de novembro. O pernil com osso, por exemplo,
subiu 4,75%.Pelo 16º mês consecutivo, o Brasil exporta um volume mensal de
carne suína acima de 100 mil toneladas. Em outubro, com base nos dados de
exportação da terceira semana, relatados pela Secex (Secretaria de Comércio
Exterior), as vendas externas deverão atingir 177 mil toneladas.
De acordo com o Rabobank, os efeitos desse quadro
desfavorável da produção continuarão em 2020.Para quem quiser escapar da alta
dos preços mas sem abrir mão do churrasco, o preço do frango recuou 0,94% no
último período pesquisado.
Como a produção de aves é mais rápida e a maior parte da
produção é para consumo interno, a carne de frango sofre menos com a pressão
externa. Já para os supersticiosos que evitam frango no Réveillon porque a ave
cisca para trás, os preços dos pescados estão estáveis.
Fonte Notícias ao Minuto













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