Bolsonaro é vítima de fraude processual, afirma advogado do presidente

Com procuração para falar em nome do presidente da República, o advogado Frederick Wassef afirmou à reportagem que, com o vazamento do depoimento de um porteiro do condomínio onde tem casa, Jair Bolsonaro foi vítima de uma fraude processual na tentativa de incriminá-lo.
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Wassef questiona as intenções das autoridades responsáveis pela investigação por, segundo ele, terem ouvido apenas um porteiro sem buscar outras testemunhas ou imagens do circuito interno.
"Não estou afirmando, mas perguntando: houve prevaricação ou eles resolveram fazer essa investigação de forma limitada e simplória de propósito?", indaga.
Segundo o advogado, que conversou com o presidente na noite desta terça-feira (29), "trata-se de organizações criminosas, forças ocultas, pessoas que agem de bastidor para tentar destruir a vida de Bolsonaro".
Na conversa desta terça-feira, o presidente negou veementemente que tenha atendido à chamada do porteiro?
FW - Sim. O presidente, então deputado federal à época dos fatos, encontrava-se em Brasília, na Câmara dos Deputados, um dia antes, no dia dos fatos, e no dia posterior. Ele não atendeu essa pessoa.
Não existe essa hipótese, nenhum mecanismo, de quem quer que seja ter acionado o então deputado Jair Bolsonaro. Ninguém interfonou, nem procurou ninguém, na casa de Jair Bolsonaro no dia 14 de março de 2018. O interfone não tocou lá. Ninguém era esperado. Não aconteceu nada.
O que o sr. acha da ideia de se acionar o Ministério da Justiça para ouvir o porteiro e investigar o caso?
FW - Baseado nessa informação de que ele será acionado, me parece bastante razoável, plausível, de eu apoiar uma ideia dessas. Não podemos analisar a gravidade dos fatos ocorridos no dia de ontem [terça-feira] como um engano, um porteiro que simplesmente se enganou e resolveu fazer uma mentirinha boba.
O que está em curso é algo muito mais sério, muito mais grave. Isso foi um plano arquitetado. Trata-se de uma engenharia criminosa, onde através de um falso depoimento, de uma pessoa que foi plantada para testemunhar de forma mentirosa, tentar incriminar o presidente Jair Bolsonaro. O objetivo disso é destruir a imagem e a reputação do presidente da República.
O sr. está assegurando que não houve esse chamado. Essa é a informação do condomínio?
FW - Tenho a informação de que isso não ocorreu. Não devemos buscar alternativas para explicar esse depoimento. A situação é inversa. Temos que buscar é por que o porteiro mentiu. Foi uma coisa da cabeça dele? É um ato isolado?
Não foi um ato isolado. Como não foi um fato isolado Adélio Bispo ter enfiado uma faca no corpo de Jair Bolsonaro. Trata-se de organizações criminosas, forças ocultas, pessoas que agem de bastidor para tentar destruir a vida de Bolsonaro.
Por isso o sr. concorda com a ideia de acionar o Ministério da Justiça?
FW - Tentaram assassiná-lo, não surtiu efeito. Essas forças vêm desidratando o presidente e sua família de várias formas. Agora inventaram de, através de uma farsa, envolvê-lo no assassinato de Marielle Franco.
É totalmente normal e regular a atuação do ministro Sergio Moro, do Ministério da Justiça e da própria Polícia Federal, que pode agir a qualquer momento, fazendo sua apuração paralela para apurar o que e quem está por trás de um ardil tão asqueroso que compromete o Brasil. Isso depõe contra o Brasil. Bolsonaro está representando o nosso país no exterior. Inimigos dentro do Brasil tentam atingi-lo. 
O presidente lançou suspeitas sobre o governo Witzel pelo vazamento desse depoimento. Quem estaria por trás do que o sr. chama de ardil?
FW - Compete às autoridades investigar e descobrir quem está por trás dessa engenharia. Com certeza são pessoas que têm planos e sonhos políticos. No tocante ao governador do Rio, ouvi o presidente da República se manifestando porque ouviu uma reportagem na revista Veja. Ele apenas relatou que, segundo a revista Veja, o governador teria vazado isso.
O que o sr. acha da investigação em si, acha que era suficiente esse depoimento para levar o caso ao STF? Faltou checagem da polícia?
FW - O objetivo dessa fraude processual, desse depoimento falso, simplesmente não é imputar o crime. Eles sabem que seria possível ver que Bolsonaro é inocente, que jamais matou uma mosca em sua vida. Eles saberiam que seria impossível envolver o presidente em um crime do qual ele jamais participou.
O objetivo é causar o estardalhaço nacional e internacional. Eles foram quase bem-sucedidos. Eles vazaram de propósito, para a Rede Globo, o jornal de maior circulação televisiva do Brasil. Foi feita uma coisa tão amadora que ele teve a sorte de estar em Brasília.
O sr. fala em fraude processual.
FW - O procedimento de investigação do caso de Marielle não é uma investigação comum conduzida por um delegado da Polícia Civil sozinho em uma delegacia de base.
Quero crer que seja uma delegacia especializada em homicídios no Rio de Janeiro, com agentes da Polícia Civil, acompanhados por membros do Ministério Público e outras autoridades.
Pergunto: dois depoimentos, com riquezas de detalhes, em datas distintas e fatos tão graves como esse envolvendo o presidente da República, como é possível que apenas existam esses depoimentos? Como é que as autoridades que investigam o caso não buscaram as demais testemunhas?
Na guarita do condomínio não existe um funcionário apenas. São de dois a três funcionários dentro da cabine e, fora da cancela, há outro funcionário. Há ainda um sistema de áudio e vídeo em que toda conversa é gravada e filmada. Por que só tem esse depoimento no papel? O que houve?
As autoridades prevaricaram na investigação? Pegaram o depoimento e se esqueceram de arrolar outras testemunhas? Não buscaram o circuito de imagem? Não estou afirmando, mas perguntando: houve prevaricação ou eles resolveram fazer essa investigação de forma limitada e simplória de propósito? Tem que ir atrás disso. Pelo escândalo que foi feito ontem [terça-feira] através da imprensa, já era tempo de mostrar esse circuito de áudio e vídeo. Em um caso tão sério, é impossível ter sido tão negligente a ponto de ouvir apenas uma pessoa e não ter essas imagens.
As autoridades já deveriam ter apresentado esses vídeos?
FW - Não conheço o procedimento porque está em segredo de Justiça. Por experiência própria, como advogado desde 1991 na área criminal, digo que, especialmente em um caso rumoroso, que atravessa nossas fronteiras, seria impossível a investigação ter sido feita de forma tão simples, em que apenas se colhe o depoimento de um porteiro e não se toma outras medidas, como ouvir os demais funcionários. 
Se o porteiro disse isso, o que compete à autoridade policial fazer? O senhor trabalhava que dia? Quem mais? A que horas entrou? Quem era seu colega? Cadê o circuito de imagem e de voz?
Existe uma série de outros elementos. Digo mais: no dia que chegou o conhecimento do depoimento do porteiro, qual seria o próximo passo da autoridade policial? Imediatamente realizar uma diligência, inclusive enviando uma viatura da Polícia Civil, para ouvir a empregada doméstica que deve trabalhar na casa do Jair Bolsonaro, outras pessoas que ali trabalham...
Deveriam ter tomado outras medidas, se não tomaram, por quê? Porque não acreditaram [no depoimento], porque eles prevaricaram? Ou simplesmente o plano era fazer um depoimentozinho único, falso, que é mais fácil controlar uma pessoa com uma fraude do que várias? Então, fizeram apenas um depoimento no papel para, na data certa, vazar esse depoimento, para fazer um escândalo.
Sendo essa a orientação do presidente, o sr. acha válido usar todo o aparato à disposição para investigar quem, por que foi esse depoimento e como foi vazado?
FW - A imagem que se desenha não é o equívoco de uma pessoa que se confundiu. Claramente é uma conspiração e um atentado contra a pessoa do presidente da República.
Não passa de mais uma manobra para se atingir o presidente e a família presidencial. Dentro dessa perspectiva, em que o presidente se sente, com toda a razão, injustiçado, atacado e vítima de inúmeros ardis e mecanismos para incriminá-lo, ele tem todo o direito do mundo de tomar as medidas legais cabíveis, consultar todo o seu quadro e poder acioná-lo. 
O sr. concorda com as críticas feitas pelo presidente à Rede Globo?
FW - Precisamos analisar o que é dito e falado dentro de um contexto. De forma reiterada, o presidente, assim com sua família e nora, vem sendo vítima de todo tipo de fake news, mentiras, de armação, inclusive por parte de alguns jornalistas e parte da imprensa.
Dentro desse contexto, ele, em um momento de injustiça, e vendo como a coisa foi feita ontem [terça-feira], ele se manifestou nesse sentido. Convido qualquer um a se colocar no lado dele.
O presidente sempre se manifesta em relação à imprensa de forma que a imprensa não divulga. Quantas vezes, na saída do Palácio do Alvorada, ele para, desce com a máxima humildade e trata toda imprensa brasileira? Ele para, conversa com todos os jornalistas e diz: "Vocês são muito importantes para o Brasil".
CATIA SEABRA/FOLHAPRESS
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