A Marisa já iniciou o plano de fechamento de 90 lojas no País este ano, anunciado no início de abril. No Ceará, a empresa já encerrou a operação de cinco unidades. Veja quais.

Legenda: Entre abril e maio, marisa fechou 5 lojas no Ceará-Foto: Fabiane de Paula
Ainda em abril, as lojas do
Shopping Aldeota, em Fortaleza, e do Iandê Shopping, em Caucaia, foram
encerradas. Já nestes primeiros dias de maio, foi a vez das unidades do Sobral
Shopping (Sobral), Cariri Garden Shopping (Juazeiro do Norte) e a loja de rua
em Maracanaú. Ainda em abril, as lojas do Shopping Aldeota, em Fortaleza, e do
Iandê Shopping, em Caucaia, foram encerradas. Já nestes primeiros dias de maio,
foi a vez das unidades do Sobral Shopping (Sobral), Cariri Garden Shopping
(Juazeiro do Norte) e a loja de rua em Maracanaú.
"Os resultados da Companhia
neste primeiro trimestre de 2023 mostram números positivos na operação de
varejo, notadamente na receita e margem bruta, a despeito do cenário
macroeconômico adverso com consumo retraído, importações ilegais sem a devida
tributação, elevadas taxas de juros reais e restrições de capital de giro,
realçando a resiliência e força da marca", avaliou o diretor presidente da
companhia, João Pinheiro Nogueira Batista.
O executivo também ressaltou que
o fechamento das 91 lojas deficitárias previsto no plano de recuperação da
geração de caixa e rentabilidade garantirá um aumento de EBITDA estimado de R$
62 milhões em base anuais recorrentes.
Além disso, reforçou que o
processo de renegociação de dívidas com os fornecedores e proprietários de
imóveis já atingiu a expressiva marca de aproximadamente 90% dos fornecedores e
65% dos proprietários de imóveis.
"Estamos confiantes na
capacidade da Companhia e de nossos colaboradores para a superação dos desafios
que se apresentam e temos procurado ser absolutamente transparentes com todos
nossos parceiros. A receptividade nos dá ainda mais confiança que será possível
executar o plano traçado e colocar a Marisa no patamar esperado e merecido de
geração de valor sustentável para todos seus stakeholder", concluiu
Batista.
Procurada para saber se, entre as
30 lojas que ainda devem ser fechadas, há mais alguma no Ceará, a Marisa se
limitou a confirmar as operações encerradas no Estado. No início de 2023, a
marca possuía 10 unidades em território cearense.
CRISE VAREJISTA
O consultor e professor da
Faculdade CDL, Christian Avesque, comenta que a situação da Marisa pode ser
explicada por quatro fatores principais.
O primeiro deles é a influência
do caso Americanas, que deu um calote de R$ 40 bilhões e, como consequência,
reduziu a quase zero as linhas de crédito para as empresas do chamado varejo
amplo, que inclui lojas de departamento e utilidades, por exemplo.
"Muitas empresas de médio e
grande porte utilizavam linhas de financiamento de fluxo de caixa, de compra de
mercadoria, de antecipação. Houve um problema muito grande, porque as linhas
secaram e o fluxo de caixa ficou com menos liquidez", explica.
O segundo fator que teria
contribuído para a crise da Marisa e o fechamento das lojas são as empresas
cross border, especialmente os marketplaces chineses, como Shein, Shoppee e
similares.
Ele pontua que esses ecossistemas
fornecem produtos substitutos com preço de três a quatro vezes mais barato do
que o praticado nas lojas de departamento brasileiras.
Esse é um dos motivos da briga
para que fossem taxadas as compras chamadas cross border, porque realmente a
gente não tem como competir, considerando a forma, a estrutura de produção
dessas empresas lá fora e os custos operacionais que nós temos aqui"
CHRISTIAN AVESQUE
Consultor e professor da
Faculdade CDL
O terceiro motivo da crise da
varejista, segundo Avesque, seria uma certa inércia da própria empresa. O
consultor argumenta que a Marisa ficou muito tempo sem fazer inovações ligadas
à multicanalidade, que incluiria venda digital, experiência de compra híbrida,
aplicativo.
Para o especialista, a empresa
ficou parada em um modelo mais estático, de ter loja física, principalmente
loja de rua, com o mesmo layout, a mesma estrutura, o mesmo processo de venda.
"A pandemia fez com que esse
modelo de negócio fosse revisto e a empresa Marisa demorou muito tempo para
revisar esse modelo de operação, de sair da loja estática, passiva. Então, ela
perde atratividade", avalia.
O quarto pilar da crise da Marisa
também estaria relacionado às decisões da empresa. Avesque lembra que o País
ainda enfrenta um momento de alto nível de endividamento do consumidor. Diante
disso, para que as compras de roupas, utilidades, calçados, bolsas, acessórios
e outros aconteçam, é necessária uma oferta de crédito significativa.
"A Marisa nunca teve essa
pegada forte, nunca teve crediário próprio, no sentido de ter cartão de
crédito, cashback, app, recompensas, bonificações. E o consumidor, hoje, além
de querer ter um pouco mais de crédito, de prazo, ele quer ter essas
recompensas para que compre de uma empresa X ou Y", arremata.
DN












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