São mais de 8 bilhões de m³ de água em 157 reservatórios monitorados diariamente no Ceará. O Estado está no início do terceiro e penúltimo mês da quadra chuvosa e atingiu uma marca desconhecida há 19 anos: 56 açudes sangrando até à noite de desta terça-feira, 4. A cena de moradores extasiados, se banhando ou apreciando o montante de água, tem sido frequente e mostra a saudade que o cearense estava das cheias.
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| Açude Quixeramobim sangrou depois de 12 anos (Foto: Fco Fontenele) |
Em Quixeramobim, depois de 12 anos, a barragem da Cidade sangrou. Com
volume morto no início de março, o acúmulo das chuvas, que foram 132,8% acima
da média só no mês passado, proporcionou um aporte que gerou uma das cenas mais
bonitas para o nordestino.
Quando se
avalia o volume armazenado nos reservatórios em todos os dias 4 de abril, entre
2004 e 2023, poucas quadras chuvosas conseguiram fazer com que pelo menos 1/3
do total de açudes chegasse à sua cota máxima. "Sempre que a pluviosidade
é média ou acima da média, é feita acumulação", conta o chefe do Serviço
de Monitoramento do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) no
Ceará, Jean Saraiva. Neste ano, o ultimo prognóstico da Fundação Cearense de
Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) dava conta de que havia 50% de
chances de as chuvas serem acima da média para os meses de fevereiro a abril.
Em
Senador Pompeu, a 265 km de Fortaleza, onde foram observadas precipitações que
somam 452 mm em março, o açude Patu, sob responsabilidade do Dnocs, quase
dobrou de volume desde o início do ano, passando de 45 milhões de m³ para 71
milhões de m³. O Município chegou a decretar estado de calamidade após
enchentes atingiram residências. Em 2018, o Patu registrava apenas 1,03% de sua
capacidade.
Os anos mais
críticos de estiagem recente no Ceará, entre 2012 e 2018, somam, juntos, 30
açudes que sangraram e 46 que chegaram a um volume 90% acima da sua capacidade.
Este último marco, em 2023, já é de 66. O ano de 2013 foi o pior do período:
nenhum reservatório atingiu sua cota máxima e apenas um chegou aos 90% de
volume. Em contrapartida, naquele ano, 87 açudes estavam abaixo de 30%. Número
que aumentou nos anos seguintes, chegando ao total de 122 em 2016.
Apesar de
parecer "meio caminho andado" para a sangria, atingir 90% de
capacidade não significa certeza de transbordamento. "Isso porque, se as
contribuições pluviais pararem nas cabeceiras, não chega nos
reservatórios", destaca Jean. O chefe de monitoramento do Dnocs explica
que a "nossa grande caixa d'água" fica em Minas Gerais, e vem
descendo pelo rio São Francisco. É um caminho, que começa com água caindo do
céu e deslizando pelos leitos, rios, riachos e desaguando nos açudes e
barragens do Nordeste.
Jean detalha
a importância da construção e monitoramento dos reservatórios, que devem ser
feitos exatamente para suportar chuvas acima da média. "Chuvas de
recorrência, hidrologia para 100 anos... tem que suportar", frisa.
Cuidados contínuos, que devem ser realizados também no período de estiagem,
evitam que a beleza da sangria se transforme em calamidade. É necessário
verificar se há fissuras nas paredes ou se tem árvores e até arbustos que
estejam obstruindo o sangradouro, por onde a água passará. "Precisa estar
desobstruído para que a passagem da água não cause pressão na parede",
ressalta.
Com
informações portal O Povo +













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