Após uma temporada de 89 dias nos Estados Unidos, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) retornou ao Brasil na manhã desta quinta-feira (30) para tentar liderar a oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao mesmo tempo em que precisará se defender em investigações —que vão do caso das joias da Arábia Saudita aos ataques de 8 de janeiro.
A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal preparou um esquema de segurança especial para a chegada do ex-presidente.
O avião
comercial vindo de Orlando pousou no aeroporto internacional de Brasília às
6h38 desta quinta. Ele não deve sair pelo saguão tradicional do aeroporto,
seguindo determinação das autoridades de segurança. O ex-mandatário agora deve
seguir para a sede do PL, onde participa de um evento com correligionários e
apoiadores. A imprensa não será autorizada a acompanhar, a pedido do próprio
Bolsonaro.
A Secretaria
de Segurança Pública do Distrito Federal preparou um esquema de segurança
especial para a chegada do ex-presidente.
Bolsonaro
partiu para os Estados Unidos no dia 30 de dezembro, às vésperas do fim do seu
mandato presidencial. O objetivo foi não precisar passar a faixa presidencial
para Lula, ignorando dessa forma o ritmo democrático de transferir
simbolicamente o poder a seu sucessor.
Desde a
derrota eleitoral para Lula, Bolsonaro adotou uma postura de reclusão, com
raras aparições públicas. O silêncio do então mandatário, e sua resistência a
reconhecer o resultado, ajudou a alimentar teorias golpistas entre seus
apoiadores —em especial nos acampamentos montados em frente a quartéis pelo
país.
Ele viajou
aos Estados Unidos em avião da FAB (Força Aérea Brasileira), utilizando a
estrutura da Presidência da República.
Durante sua
temporada nos Estados Unidos, Bolsonaro ficou hospedado na região de Orlando
(Flórida), inicialmente na casa que pertence ao ex-lutador de MMA José Aldo.
Costumava sair para conversar com apoiadores que se aglomeravam em frente à
residência. O ex-mandatário também participou de eventos políticos
conservadores.
Como a Folha
mostrou, os gastos com dinheiro público da viagem do ex-presidente já se
aproximavam de R$ 1 milhão em fevereiro.
Do território
americano, viu os ataques golpistas promovidos por seus apoiadores, que
invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o STF
(Supremo Tribunal Federal). Condenou os atos, mas afirmou que houve muitas
injustiças.
"[Tem]
muita gente sendo injustiçada lá. Aquilo não é terrorismo pela nossa
legislação. Tem gente que tem que sim ser individualizada, invasão, depredação,
e cada um que pague por aquilo que fez", afirmou em um evento conservador.
O retorno de
Bolsonaro chegou a ser anunciado algumas vezes por ele próprio e aliados, que
depois recuaram. O filho mais velho do ex-presidente, senador Flávio Bolsonaro
(PL-RJ), chegou a anunciar no início de março que seu pai retornaria ao Brasil
no dia 15 do mês. No entanto, recuou 14 minutos depois.
Bolsonaro vai
assumir o cargo de presidente de honra do PL, com salário de cerca de R$ 40
mil. Ele vai morar em uma casa dentro de um condomínio de alto padrão em Brasília.
O
ex-mandatário vai buscar liderar a oposição ao governo Lula. Mas também terá
que se dedicar a defender-se de diferentes investigações, inclusive sobre os
ataques de 8 de janeiro.
O próprio
Bolsonaro foi incluído no inquérito que apura a instigação e autoria
intelectual dos ataques golpistas, numa decisão do ministro Alexandre de
Moraes. Além do mais, Bolsonaro vai precisar responder a ações judiciais que
podem torná-lo inelegível ou até acusado em processos criminais.
O
ex-mandatário pode responder por vazar dados de investigação sigilosa da
Polícia Federal, por interferir no órgão, por difundir fake news, entre outras
acusações. Só no STF, seis inquéritos apuram condutas de Bolsonaro que podem
configurar crimes. Além disso, há outras 16 ações no TSE (Tribunal Superior
Eleitoral) que podem torná-lo inelegível.
Bolsonaro
também vai precisar enfrentar o desgaste político e responder pelo caso das
joias vindas da Arábia Saudita. Nesta quarta-feira (29), o ex-presidente e seu
ex-ajudante de ordens, tenente-coronel Mauro Cid, foram intimados pela Polícia
Federal a depor sobre o caso. Os depoimentos foram marcados para o dia 5 de
abril.
Por meio de
seus advogados, Bolsonaro entregou em 24 de março à Caixa Econômica Federal em
Brasília parte das joias que recebeu de presente dos sauditas em 2021. O kit
inclui relógio, caneta, abotoaduras, anel e um tipo de rosário, todos da marca
suíça de diamantes Chopard.
No mesmo dia,
um kit de armas foi entregue à Polícia Federal, também por determinação do TCU
(Tribunal de Contas da União).
O tribunal
ainda determinou que o conjunto de joias e relógio avaliado em R$ 16,5 milhões
que seria para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, retido pela Receita no
aeroporto de Guarulhos (SP) em 2021, seja enviado à Caixa.
Autor:( Folhapress )













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