Caminhões usados em bloqueios antidemocráticos - contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva - de estradas e avenidas do Centro-Oeste já estiveram envolvidos em crimes como tráfico de drogas, contrabando e crime ambiental registrados pela polícia.
Segundo relatório enviado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao Supremo Tribunal Federal (STF), veículos utilizados em bloqueios no Centro-Oeste já estiveram envolvidos em crimes como tráfico de drogas e contrabando.
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Segundo a PRF, caminhões usados em bloqueios antidemocráticos de estradas e avenidas do Centro-Oeste já estiveram envolvidos em crimes. | (Foto: Reprodução/EPTV) |
As informações constam de
documento enviado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) ao STF (Supremo
Tribunal Federal), a partir do levantamento de placas dos veículos que
participaram de um comboio organizado por manifestantes em Cuiabá (MT) no dia 5
de novembro.
Nesta quarta-feira (7), o
ministro Alexandre de Moraes determinou multa de R$ 100 mil aos proprietários
dos caminhões listados no documento, que foram identificados pelas autoridades
de Mato Grosso.
Moraes também tornou esses
veículos indisponíveis -ou seja, proibiu a sua circulação e bloqueou seus
documentos. A decisão ocorreu após ele ter determinado a adoção de providências
para o desbloqueio de rodovias e espaços públicos no estado.
A situação foi ressaltada pelo
procurador-geral de Justiça de Mato Grosso, José Antônio Pereira, em ofício
enviado ao STF em que pediu multa aos envolvidos.
Ele destacou que "alguns
desses veículos têm, inclusive, envolvimento com ilícitos anteriores, conforme
informado pela PRF". Os donos dos veículos listados como participantes dos
bloqueios são os mesmos que aparecem nos boletins de ocorrência registrados
pela polícia.
CAMINHÕES ENVOLVIDOS EM CRIMES
A Folha de S.Paulo entrou em
contato por WhatsApp com as pessoas físicas listadas como proprietárias dos
caminhões e com os motoristas citados nos casos, mas não obteve resposta. As
empresas foram contatadas por email e também não responderam.
Um deles, um caminhão Mercedes
Benz modelo Actros 265, já havia sido apreendido em outubro, mês anterior ao
dos protestos dos quais participou.
Segundo documento da PRF, ele foi pego na BR-101, altura do município de
Palhoça (Santa Catarina), transportando três toneladas de drogas (2,9 toneladas
de maconha e 103 quilos de skank).
O motorista foi preso e
conduzido, junto com o veículo, à Polícia Federal em Florianópolis. O condutor
e outro homem que fazia parte do comboio relataram que ganhariam R$ 100 mil
pelo serviço.
De acordo com o boletim de ocorrência, o caminhão estava registrado como de propriedade da empresa Sipal Indústria e Comércio. A mesma companhia teve oito veículos registrados na polícia como participantes de atos antidemocráticos. No dia 17 de novembro, Moraes mandou bloquear a conta bancária da empresa.
Procurados, proprietários e empresas não se pronunciaram sobre relatório da PRF. | (Foto: Reprodução/TV Globo)
O dono e sócios da Sipal foram
contatados por email, mas não responderam. A reportagem também ligou para a
empresa e acionou por telefone e por WhatsApp o departamento de recursos
humanos da empresa, que chegou a dizer nas mensagens que encaminharia os
questionamentos para a área responsável -mas as perguntas nunca foram respondidas.
A mesma situação ocorreu com
integrantes da família Bedin. Um dos três caminhões registrados em nome de
Evandro Bedin usados nos atos também foi pego pela polícia operando para
contrabando, em 2018. Bedin aparece como proprietário do veículo no registro do
boletim.
O condutor já havia sido preso
em outras ocasiões por transportar caixas de cigarros vindos do Paraguai, sem a
devida documentação para a entrada do produto. Bedin foi procurado por
WhatsApp, onde exibe na imagem de perfil um punho cerrado com as cores da
bandeira brasileira e a mensagem "Força, Capitão", mas não respondeu.
Outro veículo atingido pela
decisão de Moraes já havia sido apreendido em boletim registrado por crime
ambiental, em nome de Vanteir Pereira da Silva.
Segundo registro da PRF de
Rondonópolis (MT), o caminhão foi pego no dia 5 de dezembro de 2021, na BR-364,
durante uma fiscalização conjunta com o Instituto de Defesa Agropecuária do
Estado de Mato Grosso (Indea) e a Polícia Militar Ambiental.
Na ocasião, o veículo e a carga
foram encaminhados ao pátio da PRF onde ficaria à disposição da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente para providências cabíveis, como medidas de remoção
e guarda às custas do proprietário.
O motorista foi autuado pelo crime de transportar, adquirir e vender madeira, lenha e carvão sem licença válida. Silva também foi procurado por WhatsApp, mas não respondeu.
Motoristas revelaram que receberiam até R$ 100 mil para participar de bloqueios antidemocráticos. | (Foto: Reprodução/Twitter)
AMEAÇA AO ESTADO DEMCRÁTICO DE
DIREITO
Em sua decisão sobre os
caminhões, Moraes afirmou que o deslocamento "inautêntico e
coordenado" dos veículos para arredores de prédios públicos, em especial
instalações militares, com fins de rompimento da ordem constitucional pode
configurar o crime de abolição violenta do Estado democrático de Direito.
"Esse cenário, portanto,
exige uma reação absolutamente proporcional do Estado, no sentido de garantir a
preservação dos direitos e garantias fundamentais e afastar a possível
influência econômica na propagação de ideais e ações antidemocráticas",
acrescentou.
Os atos golpistas começaram
logo após ser confirmada a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre
Bolsonaro nas eleições deste ano.
Caminhões bloquearam rodovias
em mais de 100 pontos pelo país e acampamentos foram montados em frente a
unidades do exército em diversas cidades.
Bolsonaro não condenou as manifestações
em frente aos quartéis, mas pediu para que os bloqueios de rodovias fossem
desfeitos.
Quando a PRF conseguiu
desmontar as manifestações nas estradas, muitos caminhões seguiram para
Brasília e estacionaram no acampamento em frente ao Quartel-General do
Exército, na capital federal.
Autor: CONSTANÇA REZENDE E
LUCAS MARCHESINI/FOLHAPRESS
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