Óleo chega ao Parque de Abrolhos, 1ª unidade de conservação marinha do país

Pequenas manchas de óleo atingiram neste sábado (2) o Parque Nacional de Abrolhos, um dos principais berços de biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

Segundo comunicado do grupo de acompanhamento formado por Marinha, ANP (Agência Nacional do Petróleo) e Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), pequenos fragmentos foram registrados na praia norte da Ilha de Santa Bárbara, uma das cinco que foram o Arquipélago de Abrolhos.
"São pequenas pelotas de óleo do tamanho de uma moeda", estimou o vice-almirante Silva Lima, comandante do 2º Distrito Naval. "A quantidade é muito pequena, não vejo um quilo."
Navios, fragatas e corvetas da Marinha, além de um navio da Petrobras, atuam no monitoramento e na contenção da chegada do óleo na região.
Criado pelo Governo Federal em 1983, o Parque Nacional de Abrolhos é a primeira unidade de conservação marinha do país e abriga ilhas do Arquipélago de Abrolhos.
A área concentra alguns principais bancos de corais do litoral brasileiro, incluindo espécies ameaçadas de extinção com os corais-de-fogo. Também registra cerca de 1.300 espécies de plantas e animais, incluindo as baleias-jubarte, que buscam as águas calmas do santuário para o acasalamento.
"É uma tragédia", resume o biólogo Gustavo Duarte, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que pesquisa sobre corais da região de Abrolhos.
Para o superintendente o Ibama na Bahia, Rodrigo Alves, a chegada do óleo à região é preocupante: "Ali têm corais que são únicos no mundo, como os corais-cérebro, tem tartarugas, tem espécies que se reproduzem naquele local e que estão ameaçadas de extinção".
O vice-almirante Silva Lima confirmou que há possibilidade que as manchas de óleo passem a chegar em um fluxo mais forte ao Arquipélago de Abrolhos nos próximos dias. Mas disse que as equipes da Marinha estão preparadas para enfrentar a situação.
"A possibilidade [de chegar mais óleo] existe. Mas estamos tomar todas as providências para evitar que isso ocorra e, caso venha a ocorrer, mitigar esse impacto o mais rápido possível", afirmou.
Seis embarcações da Marinha e dois navios da Petrobras atuam no monitoramento e na contenção da chegada do óleo na região. Uma equipe com 30 homens e oito botes está de prontidão da Ilha de Santa Bárbara para o caso de surgirem novas manchas.
Ainda na sexta-feira (1), as manchas de óleo chegaram a Caravelas, cidade do extremo-sul da Bahia que abriga o Parque Nacional de Abrolhos, que fica a cerca de 70 km da costa.
Pequenas pelotas foram registradas na manhã deste sábado (2) em quase toda a extensão do litoral da cidade, incluindo a praia de Iemanjá, a praia do Centro e na barra do rio Caravelas. Voluntários e servidores da prefeitura trabalham no recolhimento do material.
Nos últimos dias, pequenas manchas de óleo foram registradas no litoral de outras cinco cidades do extremo-sul da Bahia: Porto Seguro, Prado, Alcobaça, Belmonte e Santa Cruz Cabrália. Em Porto Seguro, voluntários e servidores da prefeitura recolheram cerca de 200 quilos de óleo das praias.
Além do Parque Nacional de Abrolhos, a região possui três reservas extrativistas (Canavieiras, Corumbau e Cassurubá), além de unidades de conservação municipais como o Parque Marinho Recife de Fora, em Porto Seguro, e o Parque Marinho da Coroa Lata, em Santa Cruz de Cabrália.
Até o momento, a única cidade do litoral baiano ainda sem registro de óleo é Mucuri, que fica já na fronteira com o Espírito Santo e a região sudeste.
Além disso, o óleo voltou a atingir a Região Metropolitana de Salvador nos últimos três dias. Na quinta-feira (31), uma grande quantidade de óleo chegou à praia de Arembepe, um dos principais destinos turísticos do litoral norte.
Na sexta-feira (1), pequenos fragmentos de óleo forma registrados na praia de Stella Maris, em Salvador. Neste sábado (2), pequenas manchas foram encontradas na praia de Vilas do Atlântico, em Lauro de Freitas, cidade que faz limite com a capital baiana.
FOLHAPRESS
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