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Exportação de cachaça cresce no Brasil, mas só chega a 2% da produção.

O setor de cachaça no Brasil encerrou 2021 com aumento no número de exportações da bebida. A alta foi de 29,5% em litros enviados para o exterior e de 38% em faturamento, se comparado com o balanço de 2020, quando o setor sofreu os impactos do avanço da pandemia do coronavírus no mundo.

O balanço do ano passado se aproxima do volume enviado para o exterior e da arrecadação de 2019, de acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac).

Em Minas, o resultado também foi positivo em 2021. Entre 2019 e 2020, houve queda de mais de 30% da quantidade total exportada e da receita obtida, e o Estado ocupou o quinto lugar no volume negociado com outros países.

Mas, no ano passado, a arrecadação aumentou 30%, chegando a US$ 1,084 milhão, e a quantidade comercializada registrou alta de 9,4%, com 248.818 litros de cachaça. O resultado fez com que Minas fosse o quarto Estado que mais exportou o produto.

Apesar da melhora no cenário, o volume de exportações ainda é baixo no Brasil. Balanço da Associação Nacional de Produtores de Cachaça de Qualidade (Ampaq) aponta que, da produção total da bebida no país, a quantidade enviada para outros países varia em torno de 1% a 2%.

Atualmente, os principais consumidores da cachaça brasileira são Estados Unidos, Alemanha e Paraguai, diz o Ibrac.

O diretor executivo do instituto, Carlos Lima, afirma que o aumento no volume de exportações é resultado do avanço da vacinação contra a Covid-19 e reabertura das atividades.

Ele projeta um 2022 com resultados mais positivos. ''Se continuarmos no cenário de aumento da imunização no mundo, retomada de eventos presenciais e deslocamento de pessoas, acredito que temos tudo para 2022 superar os dados de 2019'', avalia.

Lima lembra que a cachaça é um produto genuíno do Brasil e acredita que há espaço para difundir ainda mais a bebida fora do país. ''Já temos tradição e mercado. A cachaça é um produto consolidado e precisamos trabalhar para aumentar o volume e o valor exportado'', acrescenta.



Capacidade

Presidente da Ampaq até o final de 2021, João Otávio de Carvalho diz que o volume exportado atualmente é ''insignificante'' ante a quantidade de cachaça produzida no Brasil.

Segundo o Ibrac, a capacidade produtiva é de 1,2 bilhão de litros anuais, mas a produção é de aproximadamente 800 milhões de litros. Se comparado ao total exportado em 2021, o índice corresponde a 0,9% da produção total.

Carvalho compara a produção de cachaça no Brasil com a de tequila no México. ''Lá, 90% do que é produzido é exportado, e nós temos condição disso, porque a cachaça de alambique é o melhor destilado do mundo'', afirma.



Mais de 90% da cachaça exportada pelo Brasil é produto industrial

Em Minas, há o maior número de alambiques do país, segundo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). São 737 estabelecimentos. Porém, para o produtor João Otávio Carvalho, falta incentivo público para que as cachaças dos alambiques sejam exportadas em maior volume.

Segundo ele, mais de 90% do que é vendido a outros países vem da produção industrial. ''A cachaça industrial pode atender os padrões do governo, mas o produto de alambique tem um paladar mais agradável'', diz. ''Mas, se não tiver incentivo do governo, o produtor não vai ter condição de vender o produto lá fora'', critica.

Procurado, o Mapa informou que possui uma câmara que elabora políticas e ações para o setor. A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) disse que atua para a valorização da cachaça.



Aplicativo possibilita denúncia de cachaça clandestina

Para combater a prática de comercialização de cachaça clandestina, o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (SindBebidas) lançou o aplicativo Cachaça Ilegal.

A iniciativa busca incentivar produtores e consumidores a realizarem denúncias anônimas de quem comercialize o destilado de maneira irregular, sem levar em consideração os padrões de qualidade.

Dentro da plataforma, o usuário pode fazer a denúncia, que será tratada com sigilo e encaminhada para os órgãos fiscalizadores.

''É crime tanto a fabricação quanto o comércio irregular de cachaça. A produção de bebidas se enquadra na categoria alimentos e, portanto, segue as normativas rígidas estabelecidas pelo Mapa'', destaca o presidente do sindicato, Mário Morais.

 

Fonte: O Tempo

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