Ministério Público do Ceará acredita que o número de infectados pode ser ainda maior nos ILPIs

A Covid-19 já atingiu pelo menos 34 idosos acolhidos em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) no Ceará. As unidades estão distribuídas em 20 municípios da Grande Fortaleza e do interior do Estado e atuam no acolhimento de Alta Complexidade previsto no Sistema Único da Assistência Social (SUAS). A população acolhida (60 anos ou mais) compõe o grupo de risco e representa 72,5% do número de óbitos pela doença no Ceará, segundo balanço da plataforma IntegraSus, da Secretaria da Saúde (Sesa). Pelo menos cinco idosos acolhidos já perderam faleceram.

"Procura-se diminuir esse impacto o máximo possível. A gente sabe o grande problema que é isso na Europa, por exemplo. Aqui, o que se deseja é monitoramento, justamente para fazermos com que o sistema funcione com menor dano possível", destaca o assessor técnico do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), Ângelo Nóbrega.

Órgãos como o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), Sesa e Cosems estão em diálogo para traçar estratégias e cobrar ações efetivas. Apesar de ver avanços, Nóbrega avalia que algumas ILPIs ainda "enfrentam problemas com reposição de profissionais, que estão sendo contaminados", e com a "escassez" de equipamentos de proteção individual. "O Estado está se comprometendo a entregar uma partilha de equipamentos e testes rápidos, além da contratação de apoiadores, que serão técnicos de enfermagem com 50 horas de carga horária em cada instituição", afirma. Em contrapartida, os "municípios terão que organizar o fluxo das visitas periódicas para que os idosos sejam acompanhados sem maiores problemas".

Levantamento

Conforme levantamento do Ministério Público, 16 dos 1.790 idosos acolhidos, em 65 ILPIs, já testaram positivo para o novo coronavírus. Outros 48 apresentaram caso suspeito. As informações foram retiradas de formulários eletrônicos preenchidos periodicamente pelas ILPIs e repassados pelo MPCE. Os dados foram atualizados em 11 de maio. O número, no entanto, pode ser ainda maior já que, na última semana, outros 18 idosos, estes da Casa do Ancião Santo Antônio de Pádua, em Quixeramobim, também testaram positivo para a doença. Dois foram internados. "Há a possibilidade de que a ILPI, por alguma razão, ainda não tenha preenchido o formulário. Algumas têm o corpo de profissionais menor, o que pode explicar isto", explica o coordenador da área de idoso do Grupo Especial de Combate à Pandemia, promotor Hugo Porto.

Ele observa, ainda, que "há a necessidade de alinhar informações" entre as gestões de ILPIs. "Há entidades estruturadas em termos de conhecimento e recursos humanos e outras mais frágeis", pondera.

Camila Bezerra, da 13ª Promotoria de Justiça de Caucaia, Município que já registrou dois óbitos de idosos em uma mesma ILPI - um confirmado e outro suspeito, informou que, após isso, uma visita foi feita à instituição. "Todos os idosos e funcionários foram devidamente testados e uma idosa, que não apresentava sintomas, testou positivo e foi feito o isolamento domiciliar profilático, bem como dadas as devidas orientações e encaminhamentos", pontua.

Propostas

Em nota, a Sesa informou que mapeou todas as instituições e que "continua realizando testagem rápida nos cuidadores e idosos, a verificação da temperatura pelo menos duas vezes ao dia e oximetria, quando possível, para identificar precocemente possíveis casos suspeitos em idosos abrigados, além da orientação do uso de máscara em todos os profissionais dos abrigos". A Pasta também ressalta que está distribuindo equipamentos de proteção individual e insumos, além de disponibilizar apoiadores de saúde para auxiliar o monitoramento das ILPIs.

A Sesa não deu detalhes de como está acontecendo a distribuição, nem atualizou o número de óbitos, casos suspeitos ou confirmados em idosos acolhidos pelas ILPIS.

Fonte: Diário do Nordeste


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