Trump é absolvido das acusações em processo de impeachment pelo Senado dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi absolvido nesta quarta-feira (5) no Senado no julgamento de impeachment, com o apoio de praticamente todos os republicanos, maioria na casa.

Dos 100 senadores, 52 republicanos consideraram o presidente inocente de abuso de poder (apenas Mitt Romney votou contra, ao lado dos democratas) e 53 o livraram da acusação de obstrução do Congresso, no processo iniciado em 18 de dezembro na Câmara de Representantes controlada pelo Partido Democrata.

Embora o caso tenha dividido o país, não parece ter prejudicado a imagem do mandatário entre os seus partidários, em um período crucial no qual busca a reeleição.

Trump foi denunciado ao Congresso pela maioria democrata da Câmara de Representantes por abuso de poder e obstrução em dezembro do último ano.

Sem unanimidade

Apesar da vitória no Senado, controlado pelos republicanos, a decisão não foi unânime dentro do Partido Republicano.

Momentos antes do início da votação, o senador republicano por Utah Mitt Romney disse que votará pela condenação de Trump.

"O presidente é culpado de um abuso chocante da confiança pública", disse o ex-candidato à Presidência em 2012 em um discurso no Senado.

"Corromper uma eleição para se manter no poder talvez seja a violação mais abusiva e destrutiva do juramento ao cargo de alguém que eu possa imaginar", acrescentou.

Ucrânia

Os democratas queriam o impeachment de Trump por ele tentar forçar a Ucrânia a investigar seu possível oponente presidencial Joe Biden, com ameaças de bloqueio de US$ 391 milhões da ajuda militar crucial para este país em guerra, além de acusá-lo de tentar impedir a investigação do Congresso após essa denúncia.

Embora o encerramento do julgamento político não signifique o fim das investigações dos democratas contra o presidente, dá a Trump impulso em sua corrida pela reeleição, após um tumultuado primeiro mandato.

De olho nas próximas eleições

Trump aproveitou seu discurso sobre o Estado da União, perante o Congresso, na noite desta terça, para exaltar suas conquistas, reais e imaginárias.

Em sua fala de uma hora e 18 minutos, o inquilino da Casa Branca elogiou o desempenho de seu governo e proclamou "o grande retorno" dos Estados Unidos, em alusão ao lema da sua campanha.

O presidente afirmou que as suas políticas econômicas, criticadas por seus adversários políticos sob justificativa de que prejudicariam o meio ambiente e favoreceriam os ricos, foram responsáveis pelo progresso do país.

Quanto ao "grande sucesso econômico" dos Estados Unidos, Trump comentou que a sua "estratégia funcionou", referindo-se aos acordos comerciais com a China, assim como o México e o Canadá.

Trump criticou o antecessor democrata, Barack Obama, e declarou que o seu governo reverteu a "decadência econômica" e "restaurou" o orgulho americano.

"Os inimigos do Estados Unidos estão fugindo, as fortunas americanas estão aumentando e o futuro do nosso país é brilhante", disse.

Hostilidade

A hostilidade de Trump com a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, a quem se negou a cumprimentar ao entrar no plenário, e o tom de seu discurso despertaram ainda mais a ira dos democratas. Segundos depois de o presidente concluir sua fala, Pelosi, líder democrata no Congresso, rasgou uma cópia do discurso em momento transmitido ao vivo na televisão.

Para os democratas, respaldados ao menos em parte por alguns republicanos, o que Trump fez em relação à Ucrânia consistiu em um convite ilícito para que um governo estrangeiro interferisse na eleição americana.

"Quando nosso presidente convida e pressiona um governo estrangeiro a difamar um adversário político e corromper a integridade das nossas eleições presidenciais de 2020, ele deve ser destituído", argumentou nesta quarta o senador democrata Jeff Merkley.
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