Jovem portadora de Síndrome de Down é aprovada no vestibular da UECE


A jovem Moliny Kessya Freitas de Abreu, de 18 anos, foi aprovada no curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Ceará (UECE), no campus da Fecli, em Iguatu. Moliny será a primeira aluna portadora de Síndrome de Down  na instituição de ensino superior.
Foto: Thiedo Henrique

As dificuldades enfrentadas por ela e a família começaram desde cedo. Foi preciso quebrar a barreira do preconceito para que Moliny se tornasse uma adulta mais independente possível. “Os obstáculos foram muitos. A primeira vez em que ela foi à escola, a instituição não quis recebe-la, alegando que ela teria que ir para a APAE, mas sabíamos que ela teria direito de ter o ensino regular. Depois matriculamos na rede de ensino municipal, lutamos pelo direito de ela ter um monitor que a acompanhasse. Cada dia é uma luta e todo dia é uma vitória com ela, disse a irmã, Monik Freitas de Abreu.

Moliny é filha do casal Milton e Zefinha, moradores do bairro Tabuleiro. “Quando ela nasceu foi um choque. De início foi um “luto”. Nossa mãe é merecedora de tudo, pois ela criou a nossa irmã como se ela não possuísse limitação alguma”, lembrou Monik.

Professoras acadêmicas, as irmãs Monik e Môngola Keyla, que lecionam as disciplinas de Matemática e Biologia, respectivamente, ajudaram nos estudos de sua irmã mais nova durante a infância e adolescência. Moliny concluiu o ensino médio no Liceu em 2018. Foi lá que ela adquiriu bagagem de conhecimentos, e através de uma rotina pessoal de estudos, conseguiu ser aprovada no vestibular. “Ela mesma criou sua rotina de estudos. Todos os dias ela assistia a vídeo-aulas. E devido ao estado de saúde da nossa mãe e minha gravidez, não pudemos ser mais presentes no último ano de estudo dela”, contou Monik.

Pela primeira vez Moliny prestou vestibular e conseguiu o êxito, mas podia ter ingressado nos bancos universitários há mais tempo, quando se inscreveu no Enem, e obteve bons resultados, ao ponto de ser chamada para os cursos de Geografia e Serviço Social no Instituto Federal do Ceará (IFCE) campus Iguatu. O desejo a futura pedagoga é de ser professora para poder lecionar para o seu sobrinho de quatro meses. “Quero alfabetizar meu sobrinho”, disse Moliny.

Tanto no vestibular como no Enem, Moliny obteve ótimas notas em redação. No certame da UECE, a jovem concorreu pelas vagas reservadas à pessoa com deficiência em geral e conseguiu superar o perfil mínimo de pontuação de 12,  obtendo 22 pontos. 

A jovem Moliny agora tentará conciliar o curso universitário com o de ensino técnico no IFCE, na área de Nutrição e Dietética.

(Com informações do Jornal A Praça)
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