As candidaturas laranjas e a violação do sistema democrático por Carlos Mazza

O suposto uso de candidatas laranjas na eleição passada, como atestado em reportagens do O POVO e da Folha de S. Paulo na última semana, pode ser muito mais que mera irregularidade eleitoral. No Ceará, candidatura de Débora Ribeiro, cunhada do deputado Vaidon Oliveira (Pros), recebeu R$ 274 mil e só teve 47 votos.


Em Pernambuco, ex-assessora do ministro Gustavo Bebianno (PSL) também recebeu grandes repasses e devolveu quantia inexpressiva de votos. Caso suspeitas atuais se provem, os casos envolveriam uma artimanha de lideranças e partidos políticos, aqui e lá, de olho em burlar a cota de 30% de participação feminina em chapas para a eleição.

Configura-se aí, portanto, uma violação do próprio sistema democrático brasileiro, em artifício que atua para travar ainda mais um dos problemas mais persistentes do nosso sistema: a falta de representatividade popular.

Atualmente, mulheres representam 52% da população brasileira, mas só cerca de 15% das cadeiras do Congresso Nacional. Não há como um parlamento tão distante da realidade brasileira esteja próximo da população, sujeito a um tipo de fiscalização que só a proximidade com o eleitor permite.

Nos últimos anos, a lei brasileira evoluiu para estimular e garantir um movimento de crescimento da participação feminina na política. Paralelamente, partidos acabam transformando as iniciativas de modernizar nossa democracia em artifícios para manter os velhos líderes no poder.

É preciso uma resposta da Justiça. E rápido.

Publicado originalmente no portal O Povo Online

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