Estudo alerta para uso de aspirina contra doenças cardíacas

Novo estudo aborda o polêmico uso de aspirina na prevenção de doenças cardiovasculares 
A aspirina, um analgésico suave, é um dos medicamentos mais conhecidos no mundo. Mas segundo uma pesquisa recém-publicada na revista científica JAMA, seu uso constante pode ter efeitos colaterais graves em determinadas pessoas.
Doses diárias de aspirina diminuem o risco de infarto e acidentes cardiovasculares em pessoas sem um histórico de doenças cardíacas. No entanto, essa dose diária aumenta o risco de hemorragia gastrointestinal e intracraniana.
“Por esse motivo, não se deve recomendar o uso diário de aspirina para pessoas sem problemas cardiovasculares”, disse o Dr. Sean Zheng, principal autor do estudo e médico do Departamento de Cardiologia do King’s College Hospital, em Londres.
Os médicos costumam receitar o uso diário de aspirina para pacientes com um quadro clínico de doenças cardiovasculares de alto risco, como uma forma de prevenir futuros problemas.
Porém, o uso contínuo do medicamento é um tema controverso no campo da medicina. A US Preventive Services Task Force recomenda seu uso em pacientes idosos sem problemas cardíacos. Por sua vez, a Sociedade Europeia de Cardiologia não prescreve seu uso nesses casos.
Experimentos clínicos realizados na década de 1980 mostraram “resultados conflitantes”, observou Zheng. “Desde então, a medicina evoluiu e há uma percepção maior sobre os benefícios do exercício físico e de um estilo de vida mais saudável na prevenção de doenças cardiovasculares”, acrescentou.
O estudo de Zheng e de seus colegas baseou-se em 13 experimentos realizados com 164.225 voluntários sem doenças cardiovasculares. Ao final dos testes, os pesquisadores compararam os resultados do uso ou não da aspirina nessas pessoas.
Zheng e seus colegas concluíram que entre os 265 pacientes que tomaram doses diárias de aspirina durante cinco anos, em um deles o uso do medicamento evitou uma complicação cardíaca ou vascular. Por sua vez, em 210 pacientes que fizeram uso da aspirina no mesmo período, um deles teve uma hemorragia séria.
Donna Arnett, ex-presidente da American Heart Association e reitora do College of Public Health da Universidade de Kentucky, escreveu que as “conclusões confirmam os resultados de metanálises anteriores”.  Segundo Arnett, os pacientes deveriam discutir com os médicos medidas alternativas de prevenção de doenças cardiovasculares, como parar de fumar e controlar a pressão arterial e os níveis do colesterol.
Michael Gaziano, cardiologista do Boston Healthcare System e professor de medicina na Harvard Medical School, elogiou a pesquisa de Zheng e de seus colegas em um artigo divulgado em um periódico científico.“Embora não sejam conclusões novas”, observou Gaziano, “o estudo mostrou que existe uma coerência entre as descobertas antigas e as mais recentes”.
Na opinião de John McNeil, professor do Departamento de Epidemiologia e Medicina Preventiva da School of Public Health da Universidade Monash, na Austrália, o estudo de Zheng exagerou um pouco os benefícios do uso da aspirina na prevenção de doenças cardiovasculares em pessoas saudáveis.
Essa ênfase resultou, segundo McNeil, no cotejo entre experimentos realizados há 20 ou 30 anos, que eram favoráveis ao uso da aspirina, com testes mais recentes que têm uma visão diferente desses benefícios.
Porém, em última análise, McNeil concorda que a pesquisa analisa com objetividade os prós e os contras do uso generalizado da aspirina na prevenção de doenças cardiovasculares. Com uma abordagem mais holística, o estudo incentiva as pessoas a buscarem outros meios de cuidarem da saúde.
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