Ceará confirma caso de sarampo importado e investiga outros nove

Um caso de sarampo importado foi confirmado no Ceará pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Conforme informações disponibilizadas ontem pela Pasta, o paciente contraiu a doença em um município do Estado de São Paulo, onde, até a 1ª quinzena de agosto, já foram confirmados 1.662 casos. No Ceará, segundo a Sesa, até o dia 23 de agosto, foram notificados 98 casos suspeitos de sarampo. 88 destes já foram descartados e nove estão sendo investigados.
Em 2013, a reintrodução do sarampo no Ceará, que gerou o surto entre 2013 e 2015, ocorreu de modo semelhante ao cenário de agora, com a confirmação de um caso importado. Até o momento, 12.010 casos de sarampo foram confirmados no Brasil.

O infectologista Robério Leite explica que a principal causa do retorno da doença é a queda da cobertura vacinal. Não só para o sarampo, mas o caso surge como um alerta. "Porque como é a doença mais transmissível dessas imunopreveníveis, quando normalmente a cobertura vacinal cai, geralmente, o que volta primeiro de doenças é o sarampo". De acordo com o médico, a redução da cobertura vacinal, atrelada à falta de controle da doença no mundo, provoca esse cenário. "Além disso, aumentou o movimento populacional como viagens, e isso facilita a reintrodução do sarampo nas áreas que tinham controlado, como as Américas", enfatiza.

De acordo com a Sesa, o último caso autóctone de sarampo no Ceará, aquele que ocorre quando a contaminação se dá no próprio Estado, foi confirmado em julho de 2015.

Privilegiado

Conforme o infectologista, é possível dizer que como o Ceará saiu recentemente de um surto, o Estado tem uma situação "privilegiada" de imunização se comparado ao restante do País. Isso, reforça ele, é uma espécie de vantagem, mas não é uma garantia absoluta. Portanto, quem não tem certeza se teve sarampo ou não está imunizado, deve procurar um posto de saúde e se vacinar.

A Sesa informa que sarampo é uma doença de elevada transmissibilidade, que pode acometer crianças e adultos. A transmissão ocorre de uma pessoa para outra, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar.

Quando identificado algum caso suspeito, relata o médico, é preciso seguir um protocolo que estabelece a realização de bloqueio nas pessoas suscetíveis que tiveram contato com o paciente em até 72 horas após a identificação. "Se essas pessoas não tomaram duas doses da vacina ou não tiveram sarampo anteriormente, vão tomar a vacina como um bloqueio. A vigilância não precisa confirmação para atuar, basta a suspeita clínica. A partir daí, se buscam todos os contactantes e se procura fazer o bloqueio da pessoa".

Conforme o médico, essa confirmação sinaliza duas dimensões: uma é a extensão do surto da doença no País e a outra é a vigilância de saúde do Estado, que está bastante atenta e tem funcionado. "Essa vigilância é muito importante para que você não permita que a doença se estabeleça no Estado a partir de casos importados. Porque aí, sim, você faz uma cadeia de transmissão e você caracterizaria um surto. Por enquanto, não está caracterizado".

A Sesa define como caso suspeito todo "paciente que, independentemente da idade e da situação vacinal, apresentar febre e exantema maculopapular, acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite. Ou todo indivíduo suspeito com história de viagem a locais com circulação do vírus nos últimos 30 dias ou de contato, no mesmo período, com alguém que viajou para lugares com circulação do vírus".

Contexto nacional

Em 2019, o Brasil já contabilizou 1.680 casos confirmados de sarampo, segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde.

Surtos

A Pasta federal também aponta que 11 estados têm surtos ativos da doença: São Paulo (1.662), Rio de Janeiro (6), Pernambuco (4), Goiás (1), Paraná (1), Maranhão (1), Rio Grande do Norte (1), Espírito Santo (1), Bahia (1), Sergipe (1) e Piauí (1)

Epidemia

Do início da epidemia, em fevereiro de 2018, ao dia 17 de agosto passado, o País teve 12.010 ocorrências da enfermidade e 12 óbitos foram registrados, sendo em Roraima (4), Amazonas (6) e Pará (2). Em Pernambuco, uma morte está sendo investigada.
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