Como explicar a vantagem de Camilo?

O que mais chama atenção no desempenho sem precedentes de Camilo Santana (PT) na pesquisa Ibope é o contexto. Normalmente, governantes têm vantagens tão expressivas em períodos de bonanças na economia, de prosperidade e tranquilidade. Não é a realidade do governo Camilo. Ocorreu todo ele no meio de uma recessão, seca braba, desemprego, crise política – com direito a impeachment da presidente, do mesmo partido que ele.

Além disso, há problemas graves no Estado. O mais notório, a segurança pública. Chegou-se ao descalabro. A saúde é muito problemática. Não são questões periféricas. É o coração de um governo. E não, elas não estão bem. Mesmo assim, Camilo tem desempenho que nenhum governador teve em tempo algum.

São duas perguntas: 1) Como ele pode estar tão bem em cenário tão ruim? 2) Como a oposição consegue se aproveitar tão mal de quadro tão favorável?

Ensaio respostas.

1) A população deve reconhecer nele alguém que se sai bem no quadro adverso. Não é avaliação injusta. Enfrentou as dificuldades e deu respostas possíveis. Nem sempre boas, vide a segurança. Além do mais, ele criou retaguarda política tal que o blinda de críticas. Isso explicaria que estivesse bem. Mas não justifica que esteja melhor que qualquer outro governador. O que leva ao segundo ponto.

2) A oposição até tentou tirar proveito das crises. O PSDB montou chapa para isso. Tem um general e uma médica, para atacar segurança e saúde. Porém, isso não pode ser feito do dia para a noite. No ano passado, Tasso Jereissati estava na residência oficial e trocando gentilezas com Camilo. Agora, prega a mudança total. E o general voltou ao Ceará dia desses, depois de décadas fora. Aí também é demais. Achar que um desconhecido vai chegar de última hora, com base em discurso construído de última hora, e será eleito governador.

Da Coluna Política, do jornalista Érico Firmo, n’O Povo desta quarta-feira (26) 
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