» » Material escolar: hora do aperto

Chegou a época da compra de material escolar para quem tem filhos ou dependentes matriculados na rede de ensino privado. Apesar das restrições legais aos abusos, os critérios de mercado e os apelos consumistas não deixam de pressionar as listas de material preparadas pelas escolas particulares. Os pais sentem falta de um apoio específico do poder público, nessa hora, para amenizar um encargo que deveria ser do Estado, através da oferta de um ensino público universalizado e de qualidade.

De fato, esse tipo de drama enfrentado pelos pais com filhos em idade escolar é recorrente desde que a escola pública perdeu qualidade e status na vida social do País e viu-se abandonada pelas classes médias. O setor privado de ensino que formava apenas pequenas ilhas destinadas a quem, de fato, queria um ambiente mais exclusivo (por qualquer legítima razão particular) convivia com uma paisagem dominada pelo prestígio de um ensino público respeitado e disputado. Resquício disso permaneceu nas grandes universidades públicas.

A cada início de ano escolar, a corda aperta ainda mais no pescoço de pais e responsáveis obrigados a se desincumbirem da tarefa de educar filhos e dependentes, numa situação de grave crise econômica. Os livros e materiais escolares seguem o jogo do mercado (apostando na demanda para subir os preços) e no critério da descartabilidade. Há legislação determinando limites a essas exigências (e os pais precisam conhecê-las). É preciso arrefecer nas listas a tentação não só do supérfluo, mas, do modismo de marcas e outras extravagâncias consumistas. Nisso, as recentes palavras do papa Francisco a respeito de consumismo e simplicidade vêm a calhar.

Evidentemente, o ensino privado deve ter seu espaço na sociedade democrática. Mas, não como sua base educacional principal. A educação escolar, como direito fundamental da pessoa humana e como imperativo de cidadania (e condição sine qua non para o desenvolvimento de uma nação na era da sociedade do conhecimento), é uma necessidade básica cujo atendimento deve ser universalizado. E isso exige que sua oferta seja pública e gratuita, como requer o Estado de Bem -Estar Social, que hoje é um imperativo ético da humanidade, tal como se vê na Finlândia e países nórdicos.

Sobre Ivanildo Souza

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