2018 já mudou o panorama da eleição no Ceará por Érico Firmo

Os 20 dias decorridos do ano que começa foram suficientes para mover peças importantes na sucessão estadual do Ceará e provocou transformações profundas na oposição. 

Um movimento já vinha em curso e se consolidou: o MDB deixou o bloco que se contrapõe ao governador Camilo Santana (PT) na Assembleia Legislativa.

Capitão Wagner (PR), por sua vez, anunciou que será candidato a deputado federal, deixando de lado a hipótese de concorrer a governador. O deputado estadual anunciou ainda que deixará o PR e se filiará ao Pros.

Ontem, o portal O POVO Online antecipou que Heitor Férrer se reuniu com dirigentes da Rede Sustentabilidade e discutiu a possibilidade de deixar o PSB para ingressar na Rede.

Enquanto isso, nos últimos dias, Camilo Santana retomou a agenda pública. Neste fim de semana, reúne o secretariado para organizar o ano eleitoral.

O saldo até agora é de um governo muito bem situado, mais pelas circunstâncias políticas que pelas realizações administrativas. O governador tem bases sólidas para se mover, enquanto a oposição está sem rumo. Aliás, cada um está preocupado com a própria vida - ou a própria sobrevivência.

Eunício já se debandou para o lado de Camilo. O peemedebista odeia os Ferreira Gomes e é igualmente odiado. Porém, aparentemente acha ainda pior perder eleição. Por isso, articula as condições para ser reeleito. Presidente do Senado não conseguir sequer segurar o mandato não é menos que um vexame.
Wagner desistiu de ser candidato a governador para concorrer a deputado federal. Assim, praticamente assegura uma vaga, no lugar de se arriscar a uma disputa dificílima, com grande chance de ficar sem mandato a partir do ano que vem. O Capitão mostrou que não tem nada de kamikaze.

Tasso Jereissati (PSDB), com mais quatro anos de mandato pela frente, não demonstra, até aqui, lá muito interesse pela disputa.

Quanto a Heitor, está preocupado com a hipótese de aliança do seu PSB com o grupo do governador. Disse que quer ficar no PSB, mas está inseguro diante das incertezas nacionais e da perspectiva estadual que indica aliança com o bloco governista.

Ao blog do Eliomar de Lima, ele disse que, caso o partido garanta a ele liberdade de atuação, fica no PSB. Seria assim: o partido apoiaria Camilo Santana, estaria ao lado dos Ferreira Gomes. Porém, Heitor não seria obrigado a subir em palanque nenhum e faria seu discurso de oposição. Foi assim quando ele estava no PDT, durante os governos de Lúcio Alcântara e Camilo Santana. Nos dois momentos, a sigla estava na base governista, e Heitor se mantinha opositor.

Em resumo, a oposição desistiu de um projeto coletivo e cada um tenta salvar a própria pele.

Publicado originalmente no portal O Povo Online
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