» » Crato,CE: Vantagens da palma são estudadas

Com cinco anos seguidos de chuvas abaixo da média no Ceará, agropecuaristas têm enfrentado dificuldades em manter a alimentação ideal para o rebanho. Sem chuva, o pasto não sustenta e o animal padece. Diante deste cenário de seca, a palma surge como uma das alternativas para garantir a segurança alimentar para o rebanho bovino, ovino e caprino.

Atentos a esta possibilidade, alunos e professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), campus Crato, estão desenvolvendo um projeto, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Leite, de Minas Gerais, e a Embrapa Semiárido, de Pernambuco, com o objetivo de fomentar o uso da palma forrageira na alimentação do rebanho.

Capacitação
A iniciativa busca, ainda, auxiliar e capacitar os criadores de bovinos, além de alavancar a produção de leite na região. Apesar de o Brasil ocupar a quarta posição entre os países produtores de leite bovino, o Nordeste é responsável por apenas 12,59% da produção nacional, desempenho considerado baixo. Segundo o coordenador de Extensão do campus, professor Marcus Góes, “no momento em que a palma é introduzida na alimentação bovina, junto com a fonte de fibra, os ganhos na produção são significantes”.

Ele exalta, também, a importância de projetos que fomentam o desenvolvimento das comunidades e destaca que “essas iniciativas oportunizam as comunidades assistidas a desenvolverem seus potenciais naturais. Muitas dessas oportunidades de desenvolvimento surgem dentro de pesquisas, que muitas vezes não chegam à sociedade, restringindo-se ao meio científico. A Extensão é um fundamental elo para o desenvolvimento local, pois ela dá um importante acesso ao conhecimento de uma forma simples e acessível”.

Três professores da área de Agropecuária coordenam a parte operacional do projeto no campus. Vinte mil raquetes de palma, doadas pela Secretária de Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA), outra parceira da ação, foram plantadas em uma unidade de referência tecnológica, no Crato, e parte delas já está servindo para alimentação do rebanho bovino do campus. “Além de alimentar, vamos utilizar as raquetes para capacitações de produtores”, pontuou Góes.

Góes explica que diferentes métodos de manejo e distintas variedades de palma farão parte da unidade de estudo. “A ideia é que a gente tenha vários exemplos de tecnologias da palma forrageira para que, quando o produtor vier conhecer essa área, tenha contato com várias tecnologias que envolvem a mesma cultura, a palma, e possa replicar na sua propriedade a que achar mais conveniente e viável”.

Além de nutritiva, resistente e, de certa forma, barata, o gado que se alimenta desta cactácea acaba consumindo quantidade menor de água, já que ela possui quase toda sua composição de água. No entanto, por ser constituída por 90% de água, a planta tem baixo teor de fibra, matéria seca e proteína, portanto, necessita de uma complementação.

Silagem
“A fonte de fibra também é prerrogativa do projeto, desta forma, introduzindo junto à palma, um volumoso, seja feno, capim de corte, ou silagem”, pondera Marcos. A silagem, inclusive, integra outra pesquisa do Instituto Tecnológico. 

Em conjunto com a Embrapa Caprinos e Ovinos, de Sobral, alunos do IFCE Crato desenvolvem um estudo que seleciona genótipos de espécies forrageiras destinadas à produção de silagem, como o milho, o sorgo e o milheto. O campus conduz a parte experimental do projeto, que já está em seu terceiro ano e é coordenado pela Embrapa.

“Elas são cultivadas em sistema de sequeiro, ou seja, a gente avalia exatamente esse efeito climatológico sobre a produção dessas espécies. A ideia é que, com essas avaliações constantes, a gente chegue a uma recomendação mais correta ao produtor, para que ele possa ter um retorno melhor, uma produção melhor a partir do genótipo da variedade que ele vai plantar”, explica o professor.

Com a junção da palma com a fonte de fibra, Góes garante que a produção de leite tende a subir. “Com o andamento do projeto, vamos verificar e quantificar o impacto que a utilização da palma na alimentação pode fazer na receita do produtor”, acrescenta. O projeto deve ter duração de cinco anos.

Etnoconhecimento
Paralelo ao projeto, a estudante de Zootecnia do IFCE, Priscila Figueirêdo, desenvolve um estudo que visa traçar “o perfil socioeconômico de produtores rurais e também o perfil dos palmais, para, desta forma, saber como eles conduzem o sistema. Além dessas informações específicas da produção da palma, o trabalho vai analisar os saberes deles sobre a palma forrageira, o que aprenderam com os pais e o conhecimento que nós chamamos de conhecimento tradicional, que é passado de geração em geração”, destaca.

Para a estudante, conhecer os produtores e os palmais é fundamental para orientar o desenvolvimento de atividades de extensão na região. Além desse diagnóstico, a pesquisa também tem como objetivo repassar conhecimento sobre novas tecnologias de cultivo, para que os produtores possam explorar a palma de maneira mais eficiente.

“A palma é utilizada já há bastante tempo. De uns 15 anos para cá, vem se estudando bastante a palma e a gente vem descobrindo várias coisas que durante muito tempo se acreditava que fosse da forma como era mostrado. Com esses estudos, vem se demonstrando todo o potencial que a palma tem para ser cultivada no Semiárido”, pontua o professor e orientador da pesquisa, José Lopes.

Diálogo
A coorientadora do projeto, professora Francinilda Araújo, destaca a importância de promover o diálogo entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, e diz que “é fundamental se ter o produtor envolvido com as instituições de ensino, pesquisa e extensão. Ainda mais, que sejam articulados os saberes, da academia e do produtor rural, para construir uma nova modalidade de saber que reconheça que não existe saber melhor, mas saberes diferentes”.

Aprendizado
Produtor de palma há um ano e meio, diante da necessidade, José Cândido da Silva foi um dos entrevistados pela universitária. Para ele, o intercâmbio com a academia ajuda a ampliar o conhecimento e promove a troca de informações entre os próprios produtores. “No início, é como se estivéssemos aprendendo a falar, mas, quando tem um professor que já sabe de alguma coisa, fica mais fácil e o processo, mais rápido”. Acrescenta que o trabalho tem possibilitado ganhos em sua produção. “Já estou aprendendo muita coisa sobre a palma e implantando.

ANDRÉ COSTA
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

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