» » 20 anos sem Renato: Em 1996, o rock brasileiro perdia o líder da Legião

Ele afirmava ser “impaciente e indeciso”, declarava sua indignação com a sujeira das favelas e do Senado, clamava pelo amor “como se não houvesse amanhã”.

Renato Manfredini Júnior, mais conhecido como o cantor e compositor Renato Russo, líder da banda Legião Urbana, morreu hoje, 11 de outubro de 1996, no Rio.

O poeta de uma geração, que ele chamou certa vez de “geração Coca-Cola”, tinha 36 anos. Estava magro, depressivo, recluso e morreu à 1h15 da madrugada, ao lado do pai, em seu apartamento em Ipanema.

Renato Russo tinha o vírus HIV há seis anos e estava com anorexia grave, segundo seu médico, Saul Bteshe.

“Ele morreu por causa de complicações da doença”, afirmou o médico à Folha. A mãe do artista, Carminha Manfredini, disse que “ele quis chegar ao fim. Não se suicidou, mas simplesmente não lutou”.

A cerimônia de cremação, acontecerá na manhã de hoje no cemitério São Francisco Xavier, no Caju (região portuária do Rio).

Comenta-se que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, companheiros dele na Legião Urbana, irão anunciar o fim da banda nos próximos dias.

Nascido na capital fluminense, Renato passou a maior parte da infância na Ilha do Governador (zona norte) com os pais e a irmã mais nova.

Era agitado, bem-humorado, nada tímido. Tirava notas boas na escola –desde matemática até história, lembra um colega–, ouvia de música clássica a Beatles dos pais e fazia imitações na frente da TV para divertir a irmã.

Mas foi em Brasília, na adolescência, que teve a relação com a música estreitada. Talvez por culpa de uma doença no ossos. Aos 14 anos, passou por uma cirurgia na perna e deu uma pausa na escola. Sem poder levantar, fez uma nova amiga: a vitrola ao lado da cama.

Foi um ano, talvez um ano e meio, ouvindo, tocando, escrevendo –inclusive um livro (leia crítica neste especial).

Ao se recuperar, transformou a música em uma forma de fazer amigos. “A gente trocava ideia pelos LPs. Descobrimos o movimento punk como uma forma de se manifestar num período de ditadura”, relata Bonfá, que aponta Renato como um “irmão mais velho”.

Os protestos, ideias e frustrações eram colocados no papel por Renato. Às vezes, eram rabiscos que demoravam para ganhar um fim. Chegavam a levar anos.

Outras vezes, suas letras eram trabalhadas pelos colegas como num jogral. “A gente fazia estilo banda de garagem, cada um falando o que vinha na cabeça”, diz Bonfá.

No fim, as canções eram apresentadas em shows do Aborto Elétrico e, depois, do Legião Urbana.

Foi assim que Eduardo e Mônica se encontraram, que João de Santo Cristo se aventurou e morreu na capital federal e que uma geração se declarou filha da revolução.

A primeira banda durou menos de três anos, sem disco gravado. Já a Legião Urbana passou 14 anos em atividade, lançou oito discos de estúdio, vendeu cerca de 25 milhões de cópias e não há nenhum sinal de que esteja perdendo popularidade.

Contrariando o título (“Ainda É Cedo”) de um de seus primeiros sucessos, não é cedo para afirmar: a obra de Renato Russo ainda será atual no próximo milênio.

Leia matéria completa AQUI

Fonte: Folha.com

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